Diante da Mesquita de Porto Novo, construída por negros retornados do Brasil para o Benin (no século 19), a mulçumana guarda seu recato em estilo espetacular.
culturas negras no mundo atlântico
sound system em salvador; luta de arena em dakar; performances no harlem, ny; carnaval em londres; cafés literários na martinica; emancipation celebration em trinidad; salões de beleza afro em paris; artes visuais em luanda; festival de vodum em uidá. a terceira diáspora é o deslocamento virtual de signos - discos, filmes, cabelos, slogans, gestos, modas, bandeiras, ritmos, ícones - provocado pelo circuito de comunicação da diáspora negra. potencializado pela globalização eletrônica e pela web, coloca em conexão digital os repertórios culturais de cidades atlânticas. uma primeira diáspora acontece com os deslocamentos do tráfico de africanos; uma segunda diáspora se dá pela via dos deslocamentos voluntários, com a migração e o vai-e-vem em massa de povos negros. diásporas_estéticas em movimento.
quem sou eu
- goli guerreiro
- antropóloga, viajante e fotógrafa amadora, registro cenas do cotidiano em cidades negras das américas do norte e do sul, caribe, europa, áfrica e brasil, sobre as quais pesquiso, escrevo e realizo mostras audiovisuais. meu porto principal é salvador da bahia onde moro. Goli edits the blog www.terceiradiaspora.blogspot.com from Bahia Salvador, is a traveller and amateur photographer who recorded scenes of daily life in the atlantic cities about which she writes and directs audiovisual shows. She has a post-doctorate in urban anthropology and is the author of the book "The Plot of the Drums - african-pop music from Salvador" and "Third Diaspora - black cultures in the atlantic world".
quinta-feira, 27 de maio de 2010
porto novo
domingo, 16 de maio de 2010
cidade do cabo



Na luxuosa cidade turística da qual se avista a Robben Island (onde Mandela viveu 18 dos 27 anos em que permaneceu preso) o cotidiano é um enigma. Hostilidade e gentileza encobrem outras diferenças.
terça-feira, 11 de maio de 2010
o sacerdote
quarta-feira, 21 de abril de 2010
sankofa

Sankofa é o ganês Justine Lloyd Ankai-Mac Aidoo e traz em seus nomes a marca da tribo real da qual descende. Além de inglês e português (que ainda está aprendendo a dominar) ele fala fanti uma das línguas faladas pelos povos acã que congrega cerca de 50 etnias, como Ashanti, Takwa, Nzima e Fanti, entre outras. Ele veio ao Brasil a trabalho em 2001 e decidiu ficar atuando como cabelereiro em São Paulo. A primeira escala durou um ano. Conheceu Salvador e instalou no Pelourinho o Sankofa - African Bar. Atua como dj e gosta de tocar semba, highlife, jujumusic, reggae e afrobeat.
“A primeira vez que eu toquei em um reveillon aqui em Salvador jogaram uma lata de cerveja em mim. Eu parei o equipamento, parei o som e falei! Por favor eu sou Sankofa e sou africano de Gana e ‘tou aqui como dj africano com músicas africanas, por favor... me contrataram por causa do estilo de música que eu toco, por isso estou aqui. Então desculpa, se não conhece escuta, quem já conhece vamos curtir” (Sankofa conversa com a autora, 27 de outubro de 2008).
terça-feira, 20 de abril de 2010
a paisagem é um muro

“Eu vou falar francamente, então isso não vai levar muito tempo. A despeito do que dizem, grafite não é a forma de arte mais baixa. Embora uma pessoa talvez tenha de escalar por aí à noite e mentir para a mãe, esta é, atualmente, uma das mais honestas formas de arte disponíveis. Não há elitismo ou exagero, esta arte expõe, nos melhores muros, o que uma cidade tem para oferecer e ninguém é deixado de fora pelo preço da entrada. Um muro tem sempre sido o melhor lugar para publicar seu trabalho. As pessoas que governam nossas cidades não entendem grafite porque eles pensam que nada possui o direito de existir a menos que dê lucro, o que faz a opinião deles sem valor" (Robert Banksy. Banksy – wall and piece. London: Century, 2005, p. 8).
quarta-feira, 24 de março de 2010
dubstep

kode9
“O DJ inglês Kode9 lançou um álbum que serve de boa trilha sonora para o tempo presente. Batizado de “Memories of the Future”[2006], ele retrata o estágio atual do dubstep, estilo de música eletrônica surgido nas periferias de Londres há alguns anos. Com batidas muito lentas e graves marcantes, o dubstep vem crescendo globalmente sem alarde. E com ele, a perplexidade sobre como se dança o novo estilo, já que à primeira audição isso parece impossível. Curiosamente, o dubstep não desafia apenas as formas urbanas de dançar. Disseminado primordialmente através de rádios piratas e da circulação dos chamados mixtapes (cd´s caseiros distribuídos pelos próprios dj´s), o estilo faz repensar a idéia de “periferia”, já que nesse caso estamos falando da periferia de Londres. A palavra-chave para isso é a tecnologia digital” (Ronaldo Lemos. “Centros, Periferias e a Propriedade Intelectual”(RJ)· 31/5/2008. www.overmundo.com.br/Texto publicado originalmente no catálogo do evento Memória do Futuro, do Instituto Itaú Cultural).
quarta-feira, 3 de março de 2010
pai burukô
“Aproximava-se o Carnaval de 1942, os garotos [Didi, Clodoaldo, Minininho, Hugo e Aurinho] muito alegres, animados e animando os outros que lhe rodeavam, conseguiram juntar 30 sócios, organizando a brincadeira (...) . Domingo, dia do Carnaval, quando acordaram foram ao riacho, junto à lagoa da Vovó [em São Gonçalo do Retiro], tomaram um rico banho e na volta fizeram uma fritadinha de carne de sertão com ovos e bastante cebolas e comeram acompanhada de um aperitivozinho pra alegrar a brincadeira. (...) Assim o Afoxé Pai Burukô passou a ser uma pândega, em que a maior parte de seus sócios, participantes da Religião Tradicional Africana Nagô, se organizou para se distrair e alegrar o povo de modo geral, sem nenhuma finalidade religiosa” (Mestre Didi. Autos coreográficos: Mestre Didi, 90 anos. Salvador, corrupio, 2007, p. 35-6).
“Afoxé [nagô; advinhação, profecia]: é um bloco carnavalesco, uma ‘brincadeira’ de forma, conteúdo e comportamento específicos, não só porque seus membros-foliões estão vinculados a um terreiro, unidos por uma religião, pelo uso de uma língua, dança, ritmo e códigos de origem nagô, senão por terem, fundamentalmente, consciência de grupo, comunidade de valores e hábitos que os distingue de qualquer outro tipo de bloco ou cordão. O que mais caracteriza o afoxé é a sua figura central, o babalawô, pai conhecedor dos mistérios, do futuro, dos destinos, iniciado dos mistérios do jogo oracular, acompanhado de seus ‘ajudantes’, em torno dos quais se desenvolve toda a atividade lúdica do grupo” (Juana Elbein dos Santos. Autos coreográficos: Mestre Didi, 90 anos. Salvador, corrupio, 2007, p. 42).
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