culturas negras no mundo atlântico



sound system em salvador; luta de arena em dakar; performances no harlem, ny; carnaval em londres; cafés literários na martinica; emancipation celebration em trinidad; salões de beleza afro em paris; artes visuais em luanda; festival de vodum em uidá. a terceira diáspora é o deslocamento virtual de signos - discos, filmes, cabelos, slogans, gestos, modas, bandeiras, ritmos, ícones - provocado pelo circuito de comunicação da diáspora negra. potencializado pela globalização eletrônica e pela web, coloca em conexão digital os repertórios culturais de cidades atlânticas. uma primeira diáspora acontece com os deslocamentos do tráfico de africanos; uma segunda diáspora se dá pela via dos deslocamentos voluntários, com a migração e o vai-e-vem em massa de povos negros. diásporas_estéticas em movimento.
livros completos para download

livro 1


livro 2

quem sou eu

Minha foto
antropóloga, viajante e fotógrafa amadora, registro cenas do cotidiano em cidades negras das américas do norte e do sul, caribe, europa, áfrica e brasil, sobre as quais pesquiso, escrevo e realizo mostras audiovisuais. meu porto principal é salvador da bahia onde moro. Goli edits the blog www.terceiradiaspora.blogspot.com from Bahia Salvador, is a traveller and amateur photographer who recorded scenes of daily life in the atlantic cities about which she writes and directs audiovisual shows. She has a post-doctorate in urban anthropology and is the author of the book "The Plot of the Drums - african-pop music from Salvador" and "Third Diaspora - black cultures in the atlantic world".

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Neguinho do Samba, rei do samba-reggae!

banda didá no cortejo fúnebre

tambores de luto

A imagem de Neguinho do Samba regendo a bateria do Olodum no Pelourinho para a performance de Michael Jackson, em They don´t care about us, foi uma das cenas mais acessadas do planeta no ano de 2009. Triste coincidência; estrondosa revelação da importância do mestre baiano para a música mundial.

Neguinho do Samba assinou o arranjo que fez dançar o corpo mágico do rei do pop, morto em junho. Mas esta não foi sua maior façanha. Desde os anos 1980, a música da Bahia está ligada ao seu nome, ao seu ouvido, aos seus gestos.

O maestro é a imagem grandiloqüente de um momento maior da história da música baiana-brasileira: a invenção do samba-reggae - um estilo percussivo que se caracteriza pela recriação de sonoridades afro-americanas e se tornou a marca dos blocos afro.

Neguinho do Samba é a espinha dorsal desta forma de produzir som que renovou a musicalidade baiana. Isso incluiu tanto a modificação de instrumentos percussivos quanto a forma de tocá-los. Certamente nem é possível mensurar todos os feitos do Mestre, mas a presença das mulheres no mundo da percussão é uma das suas conquistas mais vigorosas.

Quem desce e sobe a Rua João de Deus no Pelourinho, já está acostumado a ouvir o samba-reggae que soa no sobrado 19. A velha casa abriga a sede da Escola de Música Didá,– que, pedindo licença à tradição, constituiu e consolidou um espaço feminino no mundo da percussão.

Feito por mulheres ou por homens, o samba-reggae enviou sinais para os quatro cantos do mundo. Estamos de luto e o “atlântico negro” ergue-se menos musical no porto de Salvador da Bahia.


fontes

  • múltiplas

Arquivo do blog