culturas negras no mundo atlântico



sound system em salvador; luta de arena em dakar; performances no harlem, ny; carnaval em londres; cafés literários na martinica; emancipation celebration em trinidad; salões de beleza afro em paris; artes visuais em luanda; festival de vodum em uidá. a terceira diáspora é o deslocamento virtual de signos - discos, filmes, cabelos, slogans, gestos, modas, bandeiras, ritmos, ícones - provocado pelo circuito de comunicação da diáspora negra. potencializado pela globalização eletrônica e pela web, coloca em conexão digital os repertórios culturais de cidades atlânticas. uma primeira diáspora acontece com os deslocamentos do tráfico de africanos; uma segunda diáspora se dá pela via dos deslocamentos voluntários, com a migração e o vai-e-vem em massa de povos negros. diásporas_estéticas em movimento.
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antropóloga, viajante e fotógrafa amadora, registro cenas do cotidiano em cidades negras das américas do norte e do sul, caribe, europa, áfrica e brasil, sobre as quais pesquiso, escrevo e realizo mostras audiovisuais. meu porto principal é salvador da bahia onde moro. Goli edits the blog www.terceiradiaspora.blogspot.com from Bahia Salvador, is a traveller and amateur photographer who recorded scenes of daily life in the atlantic cities about which she writes and directs audiovisual shows. She has a post-doctorate in urban anthropology and is the author of the book "The Plot of the Drums - african-pop music from Salvador" and "Third Diaspora - black cultures in the atlantic world".

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

luta senegalesa

video, dakar, junho de 2009


na arena da luta senegalesa vários elementos disputam a atenção da platéia que lota os estádios nos fins de semana: a performance acústica dos músicos ocupa um lugar de destaque - ao lado das griotes - mulheres vestidas com roupas luxuosas que cantam incentivando os lutadores; há os atores mímicos além do apresentador do evento, responsável por anunciar a entrada dos lutadores na arena, onde começam os preparativos; a dança-aquecimento dos lutadores e de sua equipe que percorre todo o espaço e; há ainda, os cuidados religiosos. o marabout (sacerdote islâmico) é peça chave da equipe pois realiza os banhos mágicos sem os quais o lutador não poderia enfrentar seu adversário - que por sua vez realiza ritual semelhante em outro canto do quadrado de areia. a vitória é atribuída, não somente à força do atleta, mas também ao poder do marabout que divide os louros com o lutador (este pacto garante também os melhores patrocinadores). um evento pode comportar vários duelos e todos os lutadores ocupam o espaço simultaneamente cumprindo preparativos diferenciados até chegar ao centro da arena e deitar as costas do adversário no chão - golpe que define a luta.essa variedade de signos presentes na luta pode ser percebida na cultura senegalesa cujo cotidiano multiétnico e poliglota revela incrível diversidade.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

carnaval de londres





portobello road, agosto de 2002

o carnaval londrino, em nothing hill, é uma encruzilhada de culturas caribenhas, africanas e tais que revela as diversas faces de um dos portos atlânticos mais poderosos do planeta. trazido para londres por emigrantes de trinidad & tobago, teve grande impulso com a onda de imigração jamaicana que mudou a paisagem inglesa na virada dos anos 50/60.


emancipation celebration, port of spain



video, agosto de 2008
o espaço privilegiado da celebração ao mundo negro em trinidad & tobago é o emancipation celebration festival que reúne artistas, políticos e ativistas de vários países. é o momento de ver os negros (38%) nas ruas para rememorar a história de sua emancipação política e social, portando roupas e turbantes afro e dançando ao som do calypso e da soca. eles vêm de todas as áreas da cidade, dos bairros ricos e dos morros (nem tão pobres) que contornam port of spain. velhos músicos de laventille, morro próximo ao centro, berço do calypso, participam da parada, mostrando a potência do estilo até chegar ao stadium para ver os shows internacionais enquanto pessoas discutem pautas como a tensão com a “raça indiana” e a posição das minorias branca e chinesa. os negros estão em posição de supremacia política com a maioria indiana (43%) e são também responsáveis pelo capital simbólico do país, que tem no carnaval sua expressão máxima.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

mercado de saketê, benin

em cidades menores como saketê, o cotidiano é suave, com mercados calmos que guardam espacialidades tradicionais. são circulares e complexos. vende-se dendê, acará e acaçá.

video, janeiro de 2008

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

a viagem de mohamed

venda da ladeira do curuzu, bairro da liberdade, salvador da bahia, 2008
Mohamed Camara, da República da Guiné, atravessou o Atlântico para se tornar jogador de futebol e residir no Brasil. Aos 17 anos, entrou clandestino em navio de carga, no porto de Conacri, para uma viagem de 7 dias, escondido na casa de máquinas, sem comer ou beber. Acolhido em Salvador, Mohamed assistiu a um jogo do Bahia e disse gostar do futebol de Portugal e França, sem esquecer das performances de Kaká, Robinho, Figo e Cristiano Ronaldo. Esta é a história de um garoto que desafiou tempo e espaço realizando de uma só vez a primeira, a segunda e a terceira diásporas.

A primeira diáspora, pela via da escravidão, ocorreu com os deslocamentos históricos do tráfico negreiro. Da “terra da vida” - expressão com a qual os negros sudaneses designavam a África- estima-se que foram traficados 12 milhões de africanos para as Américas. As condições da viagem de Mohamed remetem ao tráfico. A segunda diáspora acontece, pela via dos deslocamentos voluntários, como a migração de jamaicanos para Londres; de porto-riquenhos para New York; de beninenses para Paris; de caboverdianos para Lisboa e NY; de angolanos para o Brasil, etc. Iniciada logo após a escravidão com o retorno de ex-escravos para a África, ela se desenvolveu enormemente no século XX.

O deslocamento de africanos de áreas colonizadas pela França para Paris é ininterrupto. Mohamed, entretanto, preferiu migrar para o Brasil. Lançado no circuito de comunicação da terceira diáspora; conectado com um repertório de signos, Mohamed conheceu jogadores, práticas e países; traçou sua rota atlântica em direção à Salvador da Bahia, e atualmente reside no bairro da Liberdade, aos cuidados de Vovô, fundador do bloco afro Ilê Aiyê.

paris c´est l´afrique

cotidiano da cidade de paris nos bairros de chateau d´eau e barbés, 2008
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design beninense

nem metade da população do benin fala francês, a maioria fala os idiomas fon, mina, iorubá. a escrita é uma mescla da língua francesa e do desenho feito a mão que anuncia açougues, cabines telefônicas e serviços digitais.

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