culturas negras no mundo atlântico



sound system em salvador; luta de arena em dakar; performances no harlem, ny; carnaval em londres; cafés literários na martinica; emancipation celebration em trinidad; salões de beleza afro em paris; artes visuais em luanda; festival de vodum em uidá. a terceira diáspora é o deslocamento virtual de signos - discos, filmes, cabelos, slogans, gestos, modas, bandeiras, ritmos, ícones - provocado pelo circuito de comunicação da diáspora negra. potencializado pela globalização eletrônica e pela web, coloca em conexão digital os repertórios culturais de cidades atlânticas. uma primeira diáspora acontece com os deslocamentos do tráfico de africanos; uma segunda diáspora se dá pela via dos deslocamentos voluntários, com a migração e o vai-e-vem em massa de povos negros. diásporas_estéticas em movimento.
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antropóloga, viajante e fotógrafa amadora, registro cenas do cotidiano em cidades negras das américas do norte e do sul, caribe, europa, áfrica e brasil, sobre as quais pesquiso, escrevo e realizo mostras audiovisuais. meu porto principal é salvador da bahia onde moro. Goli edits the blog www.terceiradiaspora.blogspot.com from Bahia Salvador, is a traveller and amateur photographer who recorded scenes of daily life in the atlantic cities about which she writes and directs audiovisual shows. She has a post-doctorate in urban anthropology and is the author of the book "The Plot of the Drums - african-pop music from Salvador" and "Third Diaspora - black cultures in the atlantic world".

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

a viagem de mohamed

venda da ladeira do curuzu, bairro da liberdade, salvador da bahia, 2008
Mohamed Camara, da República da Guiné, atravessou o Atlântico para se tornar jogador de futebol e residir no Brasil. Aos 17 anos, entrou clandestino em navio de carga, no porto de Conacri, para uma viagem de 7 dias, escondido na casa de máquinas, sem comer ou beber. Acolhido em Salvador, Mohamed assistiu a um jogo do Bahia e disse gostar do futebol de Portugal e França, sem esquecer das performances de Kaká, Robinho, Figo e Cristiano Ronaldo. Esta é a história de um garoto que desafiou tempo e espaço realizando de uma só vez a primeira, a segunda e a terceira diásporas.

A primeira diáspora, pela via da escravidão, ocorreu com os deslocamentos históricos do tráfico negreiro. Da “terra da vida” - expressão com a qual os negros sudaneses designavam a África- estima-se que foram traficados 12 milhões de africanos para as Américas. As condições da viagem de Mohamed remetem ao tráfico. A segunda diáspora acontece, pela via dos deslocamentos voluntários, como a migração de jamaicanos para Londres; de porto-riquenhos para New York; de beninenses para Paris; de caboverdianos para Lisboa e NY; de angolanos para o Brasil, etc. Iniciada logo após a escravidão com o retorno de ex-escravos para a África, ela se desenvolveu enormemente no século XX.

O deslocamento de africanos de áreas colonizadas pela França para Paris é ininterrupto. Mohamed, entretanto, preferiu migrar para o Brasil. Lançado no circuito de comunicação da terceira diáspora; conectado com um repertório de signos, Mohamed conheceu jogadores, práticas e países; traçou sua rota atlântica em direção à Salvador da Bahia, e atualmente reside no bairro da Liberdade, aos cuidados de Vovô, fundador do bloco afro Ilê Aiyê.

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