culturas negras no mundo atlântico



sound system em salvador; luta de arena em dakar; performances no harlem, ny; carnaval em londres; cafés literários na martinica; emancipation celebration em trinidad; salões de beleza afro em paris; artes visuais em luanda; festival de vodum em uidá. a terceira diáspora é o deslocamento virtual de signos - discos, filmes, cabelos, slogans, gestos, modas, bandeiras, ritmos, ícones - provocado pelo circuito de comunicação da diáspora negra. potencializado pela globalização eletrônica e pela web, coloca em conexão digital os repertórios culturais de cidades atlânticas. uma primeira diáspora acontece com os deslocamentos do tráfico de africanos; uma segunda diáspora se dá pela via dos deslocamentos voluntários, com a migração e o vai-e-vem em massa de povos negros. diásporas_estéticas em movimento.
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antropóloga, viajante e fotógrafa amadora, registro cenas do cotidiano em cidades negras das américas do norte e do sul, caribe, europa, áfrica e brasil, sobre as quais pesquiso, escrevo e realizo mostras audiovisuais. meu porto principal é salvador da bahia onde moro. Goli edits the blog www.terceiradiaspora.blogspot.com from Bahia Salvador, is a traveller and amateur photographer who recorded scenes of daily life in the atlantic cities about which she writes and directs audiovisual shows. She has a post-doctorate in urban anthropology and is the author of the book "The Plot of the Drums - african-pop music from Salvador" and "Third Diaspora - black cultures in the atlantic world".

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

atlântico negro

Spike Lee - Agora, eu queria perguntar uma coisa. É verdade que o Brasil está começando uma ação afirmativa?
Marilene Felinto - Acho que estão tentando algo nesse sentido. Espero que façam à brasileira, sem imitar a americana.

Lee - Qual a seria a diferença?
Felinto - Nossa realidade étnica é diferente. No Brasil nunca tivemos segregação.

Lee - Mas qual é a diferença? Não há. O racismo é o mesmo.
Felinto - Não é o mesmo. Segregação gera ódio. Aqui vocês têm ódio uns dos outros, da cor da pele.

Lee - E não é por ódio que somente 2% dos negros frequentam a universidade no Brasil?
Felinto - Isso é diferença de classe social, herança da escravidão, ignorância. É tudo menos ódio.

Lee - E escravidão não é ódio? É ignorância?
Felinto - Ódio é eu acenar para um táxi em Nova York e o motorista não parar porque acha que sou negra. Isso não aconteceria comigo no Brasil.

Lee - Você está transformando a discussão em questão semântica.
Felinto - Você é que está. Eu apenas não concordo com seu ponto de vista. Além do mais, eu frequentei a universidade.

Lee - Pois eu quero te dizer que você teve foi muita sorte.

(Jornalista Marilene Felinto entrevista Spike Lee em Nova York ou o contrário In. Folha Mundo, SP, 18/10/2001)

Um comentário:

  1. Penso que o Spike tem razão somos muito semânticos nossa língua na gramatica explica.

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